InícioCuriosidadesPatrimónio Histórico ou Símbolo Colonial? Estátua de Vasco da Gama continua a...

Património Histórico ou Símbolo Colonial? Estátua de Vasco da Gama continua a dividir opiniões em Inhambane

A estátua foi Fundida em Lisboa no ano 1925, para ser inaugurada um ano depois na cidade de Inhambane por volta de 1951 em homenagear a passagem de Vasco da Gama pela baía da cidade que batizou como “terra de boa gente”, em janeiro de 1498, durante a viagem que abriu a rota marítima entre a Europa e a Índia.

Por detrás desta figura mais conhecida na história da navegação mundial, permanece um debate que continua sem consenso em Inhambane, sobre validação da sua estátua como património histórico ou permanecer discreta por representar um passado colonial sangrento e por esquecer.

Por estar fora dos principais roteiros turísticos, apagando a sua existência tanto para os visitantes como para os nativos com particular enfoque para jovens, estudantes e moradores da própria cidade, a localização actual da estátua de Vasco da Gama continua no centro de debate que cruza a história, política e a identidade nacional.

A pergunta forja-se ainda pelo facto de Moçambique e Portugal reforçam, nos últimos anos, laços de cooperação através de sucessivos memorandos de entendimento, o que gera opiniões divergentes entre analistas, historiadores, gestores do património cultural, estudantes, fazedores da cultura e da sociedade no geral. 

Enquanto uns defendem que o monumento representa uma herança colonial que não deve ser exaltada, outros consideram que faz parte da história do país e pode ser transformado num importante atrativo turístico e cultural.

Só para situar, Vasco da Gama tornou-se uma figura marcante para a história mundial ao abrir a rota marítima entre a Europa e a Índia, contornando o continente africano, tal percurso durou cerca de um ano. Foi durante essa viagem, em janeiro de 1498, que a expedição portuguesa ancorou na Baía de Inhambane para reabastecer o seu mantimento com água e alimentos, estabelecendo o primeiro contacto com as comunidades locais, porém, a hospitalidade encontrada neste naquele ponto, foi registada pelos navegadores e, mais tarde, influenciou a fixação portuguesa na região.

É com base no episódio que a estátua foi fundida em Lisboa, em 1925, é inaugurada na então Praça da Marinha, em Inhambane, em 1951. Inicialmente voltada para o mar, simboliza a chegada da expedição portuguesa pela costa moçambicana, mas não durou porque anos depois, o monumento foi retirado do local, para o Museu Regional, o que também falhou, visto que foi removida para o espaço onde se encontra atualmente, sob responsabilidade do Conselho Municipal.

É precisamente a sua localização que alimenta parte da polémica entre os grupos retro-mencionados.

Para uma corrente de pensamento, dar maior destaque à estátua significaria valorizar um símbolo associado ao colonialismo português, período marcado pela ocupação, exploração e perda da soberania dos povos moçambicanos. Por isso, defendem estes que o monumento não deve ocupar um lugar de grande visibilidade na cidade.

Já outra corrente, sustenta que a história não pode ser apagada, independentemente de ser positiva ou negativa, ao entendem que a estátua representa um momento histórico relevante, que colocou a costa moçambicana nas rotas marítimas internacionais da época, acreditando que nos tempos actuais, o monumento pode ser aproveitado para fortalecer o turismo cultural e estimular o conhecimento da história local.

A própria Direção Provincial de Cultura e Turismo admite que decorrem discussões sobre o futuro da estátua, onde entre as possibilidades está a sua recolocação num espaço mais visível, voltada para o oceano, integrada num projeto de requalificação que permita transformar o monumento num ponto de interesse turístico, sem deixar de contextualizar o seu significado histórico.

No entanto, a permanência da estátua num local pouco visível levanta questões que vão além da preservação do património histórico cultural, ao reconhecer que desperta curiosidade numa altura em que Moçambique e Portugal continuam a reforçar as suas relações diplomáticas e de cooperação através da assinatura de memorandos em diferentes áreas. 

Para alguns observadores, surge uma aparente contradição: enquanto os dois países aprofundam a cooperação institucional, um dos principais símbolos da presença portuguesa no pais, permanece praticamente escondido do olhar do público.

Embora não exista qualquer indicação oficial de que a localização da estátua esteja relacionada com as relações diplomáticas entre os dois países, a coincidência alimenta o debate sobre a forma como Moçambique deve lidar com os vestígios do período colonial, compreendendo que a questão não é apenas sobre onde colocar a estátua, mas passa essencialmente em discutir as metodologias eficazes para contar parte dessa história às novas gerações.

Explicam ainda algumas fontes que o monumento não deve ser visto apenas como um símbolo da colonização, mas como um elemento capaz de gerar conhecimento, atrair visitantes e contribuir para o desenvolvimento do turismo cultural, desde que seja acompanhado de uma interpretação histórica equilibrada. 

Na sua perspetiva, esconder a estátua não elimina o passado, porque enquanto contextualizá-la pode ajudar a compreender melhor a história e as suas diferentes fases.

Mais de sete décadas após a sua inauguração na terra de boa gente, a estátua de Vasco da Gama, defendem alguns artistas que representa muito mais do que uma figura em bronze, por ser um monumento que expõe diferentes formas de olhar para a história, colocando frente a frente a necessidade de preservar a memória, reconhecer as marcas do colonialismo e assumir o desafio de transformar o património histórico num instrumento de educação e desenvolvimento para a sociedade.

admin
adminhttps://mozturismo.com
Tudo sobre o turismo em Moçambique:
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments