Erguida há mais de um século, a Velha Catedral de Inhambane, ou simplesmente a Igreja de Nossa Senhora da Conceição continua a ser um dos maiores símbolos do património histórico, religioso e arquitetônico da cidade de Inhambane, embora os registos oficiais apontam para 1885 como o ano da sua construção, contudo, a história do edifício revela um processo iniciado em 1854, passando por diferentes fases de expansão e reconstrução.
Mas que história a Velha Catedral de Inhambane carrega para os nativos, católicos em particular, e ao mundo em geral?
É importante destacar que, a primeira estrutura da Nossa Senhora da Conceição, foi erguida com material local, sobretudo madeira, entre 1854 e 1870, num período em que predominava dentro dos católicos ou cristãos, o velho testamento.
Segundo abunda a informação em nosso poder, o líder desta igreja, orientava o culto e orações de contas aos crentes, por a se curvar e dar a devida vênia à Santa que havia sido colocada no altar para ser adorada, acompanhando o modelo do antigo ou velho testamento.
Porém, esta história veio mudar com a evolução, seguindo para outra fase que data de 1928 – 1930, onde vira-se construir ou anexar a torre, sino e relógio, uma vez que na estrutura inicial não existia. Justifica-se a colocação do relógio porque certamente, pelo período em transição, nem todo mundo tinha a possibilidade de ver a hora, então o relógio na torre, permitiu que todos vissem a hora.
Acredita-se que o relógio foi uma oferta de um casal, de origem irlandesa que rezada na igreja, e aproveitando a todo que nem vinha isso na planta, a igreja julgou oportuno colocar bem lá no alto.
Já para o sino, faz parte da tradição católica, até porque quase ou se calhar todas as igrejas tinham ou têm lá um sino, que tem sido tocada sempre que necessário ou em missas, outros fins.

Enquanto isso, a torre da catedral desempenhou um importante papel estratégico durante o período colonial, por ser o ponto mais alto da cidade, servia para vigiar a entrada e saída de embarcações e mais tarde chegou a ser utilizada em exercícios militares, demonstrando que o edifício teve também relevância para a segurança da então pequena cidade de Inhambane.
Na antiga catedral, até dias de hoje permanecem vestígios da organização litúrgica da época, refletindo práticas religiosas diferentes das atuais, desde o posicionamento do altar, espaços reservados às crianças, bispos e ao responsável pelos cânticos revelando a evolução das celebrações católicas ao longo dos anos. Não menos importante é que a arquitetura do edifício, inspirada no formato de um navio, evidencia a forte influência portuguesa e a ligação histórica entre a expansão marítima europeia e a propagação da fé cristã.
Outro aspeto que desperta a curiosidade dos visitantes é a técnica de construção utilizada, visto que a estrutura foi erguida com base na pedra, cal e mel, materiais que garantiram resistência suficiente para manter o edifício de pé até aos dias de hoje. As pedras utilizadas foram transportadas de outras regiões, uma vez que o solo de Inhambane não possuía esse tipo de material, evidenciando o esforço necessário para a construção da cidade. Contam algumas fontes seguras que a cidade de Inhambane foi construída por cima do mar, ou seja, em tempos de maré alta- Magulute, nos Balane-1 e Balane-2, que estende-se da ponte ao atual mercado Central, pescava-se.
O outro aspecto que jaze em Inhambane é a natureza das estradas que são muito estreitas. Alguns acreditam que é o modele colono, visto que só se interessava por rotas, uma vez que o meio de transporte dele era cavalo e ou carroças, o que não leva muito espaço em termos de extensão, mas é uma crença apenas, sustentada pela existência em grandes cidades de Portugal, de estradas e línguas de circulação, exatamente como as de Inhambane.
Especialistas e defensores do património consideram a preservação da Velha Catedral fundamental não apenas pelo seu valor religioso, mas também pela importância histórica e arquitetônica. Existe, inclusive, um projeto para requalificar o edifício e transformá-lo num MUSEU SACRA, onde poderão ser expostos objetos litúrgicos, vestes, bíblias e outros materiais históricos atualmente guardados pela Igreja Católica.

A iniciativa pretende fortalecer o turismo cultural e proporcionar às futuras gerações um contacto direto com parte importante da história de Moçambique.
A Velha Catedral representa um testemunho vivo das transformações religiosas, urbanísticas e culturais de Inhambane, daí que a sua conservação permite compreender a influência da presença portuguesa na arquitetura da cidade e reforça a necessidade de um património que continua a contar a história de várias gerações.Hoje porém, a igreja católica tem a sua catedral, virada para as dinâmicas do novo testamento.

