O Governo moçambicano pretende transformar o turismo numa indústria capaz de gerar 1 bilião de dólares norte-americanos por ano e aumentar a contribuição do sector para entre 7 e 8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2029).
A meta foi apresentada pelo Secretário de Estado para o Turismo, Fredson Bacar, que considera insuficientes as actuais receitas anuais do sector, estimadas entre 230 e 250 milhões de dólares. “Isso é muito pouco”, afirmou, defendendo que o potencial turístico do país permite estabelecer metas mais ambiciosas.
Segundo Bacar, a medição do peso do turismo na economia deverá considerar toda a cadeia de valor do sector. Através da Conta Satélite do Turismo, baseada no Inquérito de Despesa ao Turista, são contabilizados sectores como transporte, combustível, alojamento, alimentação, compras e outras actividades realizadas pelos visitantes.
O governante refere que, em 2024, esta metodologia apontou para uma contribuição do turismo próxima de 4 por cento do PIB, acima dos cerca de 1 a 1,5 por cento registados quando se considera apenas alojamento e restauração no Plano Económico e Social e Orçamento do Estado.
Os dados apresentados pelo Governo indicam também um crescimento no número de visitantes. Em 2025, Moçambique registou 1.134.521 turistas, mais 7,9 por cento em relação ao ano anterior. Actualmente, o país conta com mais de 3.000 empreendimentos turísticos de alojamento, cerca de 6.000 estabelecimentos de restauração e mais de 450 agências de viagens, empregando mais de 80 mil trabalhadores.
Para atingir as metas, o Governo aponta a melhoria das infraestruturas como uma das principais prioridades, procurando criar condições para atrair grandes cadeias hoteleiras e novos investimentos. Entre os projectos destacados está o investimento de 140 milhões de dólares do grupo AMAN, em Massingir, na província de Gaza, e o projecto do grupo Senguita, avaliado em 102 milhões de dólares, em Carilane, Vilankulo, província de Inhambane.
A estratégia prevê ainda a concentração de investimentos em destinos considerados prioritários, nomeadamente Maputo, Gorongosa, Inhambane, Quirimbas e Niassa, definidos como áreas com elevado potencial turístico.
Os programas Mais Oportunidades e Conecta Negócios, financiados pelo Banco Mundial, integram igualmente a estratégia, com medidas de financiamento, capacitação empresarial, desenvolvimento de infraestruturas e internacionalização. A VIII Janela do Fundo de Competitividade e Inovação para o Desenvolvimento (FCID) disponibiliza 17 milhões de dólares para empresas das províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia.
O programa prevê ainda a formação de 1.250 empresas em áreas como gestão, marketing, contabilidade, vendas, prestação de serviços e internacionalização.
Em Inhambane, apontada como capital do turismo, estão previstas intervenções na orla marítima e noutras infraestruturas, enquanto o futuro programa MozTurism, caso seja aprovado e financiado pelo Banco Mundial a partir de 2027, poderá apoiar projectos estruturantes e integrar pequenos negócios e investimento privado.
A estratégia inclui também o reforço da formação através da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane e iniciativas para dinamizar o empreendedorismo no sector. Segundo Helsio Azevedo, especialista de Turismo da Unidade de Assistência Técnica do Mais Oportunidades, os projectos apoiados pelo Banco Mundial estão igualmente envolvidos na elaboração da Estratégia Nacional do Turismo e na implementação da Estratégia do Turismo de Negócios (MICE), que poderá contribuir para captar mais de 300 milhões de dólares em receitas.

