InícioLocais históricosComplexo Tongogara ganha mais notoriedade em Massinga 

Complexo Tongogara ganha mais notoriedade em Massinga 

Local histórico em Massinga preserva a memória do comandante zimbabuano Josiah Tongogara, figura central da luta de libertação da África Austral.

Moçambique volta a olhar para um dos capítulos mais marcantes da história da libertação da África Austral com a valorização do Monumento Tongogara, erguido no distrito de Massinga, província de Inhambane, no exacto local onde morreu, a 26 de Dezembro de 1979, o comandante do Exército Africano de Libertação Nacional do Zimbabwe, Josiah Tongogara.

Mais do que um simples monumento, o espaço representa a memória viva da solidariedade entre os povos africanos durante as lutas de libertação contra o colonialismo. Integra actualmente o chamado Complexo Tongogara, um conjunto de infra-estruturas históricas e sociais que inclui também um hospital, e segundo informações de fontes bem localizadas deverá ser inaugurado brevemente pelos Presidentes de Moçambique e do Zimbabwe.

Josiah Tongogara é reconhecido como uma das figuras militares mais influentes da luta pela independência do Zimbabwe e um dos grandes aliados da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Formado em inteligência militar na China, o comandante regressou à região determinado em aplicar os conhecimentos adquiridos na luta armada pela emancipação dos povos africanos.

Durante vários anos, Tongogara apoiou directamente Moçambique e a FRELIMO, sobretudo na Tanzânia, onde participou na formação de militares moçambicanos, este que mais tarde, ajudou a criar bases militares em território moçambicano, principalmente nas zonas fronteiriças entre Moçambique e Zimbabwe, consideradas estratégicas para os movimentos de libertação da região.

Após a independência do Zimbabwe e durante o período de transição política, Tongogara continuou envolvido em missões ligadas à reorganização social e militar, tendo participado activamente em iniciativas relacionadas com a criação de aldeias comunais.

Foi numa dessas deslocações que o destino do comandante cruzou-se tragicamente com a estrada nacional entre Unguana e Massinga.

Na noite de 26 de Dezembro de 1979, Tongogara regressava de Maputo para o Zimbabwe, por via terrestre, numa viatura de marca Jeep, que segundo relatos, o veículo seguia a alta velocidade quando o comandante perdeu o controlo numa curva, acabando por despistar-se e cair numa pequena ravina à beira da estrada.

O forte estrondo provocado pelo acidente alertou famílias que viviam nas proximidades e populares correram ao local para prestar socorro. Entre os primeiros a chegar encontrava-se um ancião da comunidade, que tentou reanimar o comandante, sem sucesso.

De acordo com testemunhos preservados até hoje, Tongogara perdeu a vida no local do acidente. Os moradores retiraram o corpo da ravina e levaram-no para um ponto próximo da estrada, onde continuaram as tentativas de salvamento. Porém, já nada podia ser feito.

O comandante acabou por ser enterrado naquele mesmo local, em solo moçambicano.
Dois anos depois, em Agosto de 1981, o Governo do Zimbabwe deslocou-se a Massinga para recuperar os restos mortais de Tongogara, de tal maneira que os ossos foram trasladados para o Zimbabwe, onde permanecem conservados até hoje na cripta da Praça dos Heróis, um dos mais importantes espaços de homenagem nacional daquele país.

Como forma de eternizar a memória do comandante e reconhecer o seu contributo para a libertação da região, o Governo do Zimbabwe solicitou autorização ao Estado moçambicano para construir um monumento no local do acidente. Moçambique aceitou o pedido, mas propôs igualmente a construção de um hospital para beneficiar as comunidades locais.

Foi assim que nasceu o Complexo Tongogara, projecto que junta património histórico e desenvolvimento social. As obras arrancaram em 2017, envolvendo o Ministério da Cultura e Turismo, o Ministério da Defesa Nacional, a Embaixada do Zimbabwe e a Fundação Tongogara.

O espaço é actualmente considerado património histórico nacional e integra o inventário de património estrutural de Moçambique, visto que além do valor memorial, o complexo simboliza a amizade histórica entre Moçambique e Zimbabwe e o papel fundamental desempenhado por Moçambique no acolhimento e apoio aos movimentos de libertação da África Austral.

Especialistas e defensores do património cultural entendem que locais históricos como o Monumento Tongogara devem ser transformados em pontos permanentes de turismo histórico e cultural.
Segundo apuramos, em muitos países monumentos desta natureza constituem paragens obrigatórias para turistas, estudantes e viajantes.

Porém, a preocupação actual centra-se na necessidade de criação de modelos sustentáveis de gestão e manutenção desses espaços históricos, evitando a sua degradação por falta de conservação.
É daí que fala-se da implementação de planos de exploração turística em parceria público-privada, capazes de transformar monumentos nacionais em fontes de preservação cultural, educação histórica e desenvolvimento económico para as comunidades locais.

O Monumento Tongogara permanece hoje como um símbolo silencioso da união africana, da luta pela liberdade e do papel decisivo que Moçambique desempenhou no apoio aos movimentos revolucionários da região.

admin
adminhttps://mozturismo.com
Tudo sobre o turismo em Moçambique:
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments