Para muitas pessoas, viajar de avião dentro de Moçambique é um verdadeiro luxo. Enquanto noutros países o transporte aéreo é uma alternativa rápida e relativamente acessível para percorrer grandes distâncias, em Moçambique ele continua fora do alcance da maioria da população.
Os preços das passagens domésticas têm sido alvo de críticas frequentes por parte de passageiros, analistas e até de autoridades públicas.
As tarifas praticadas pela companhia estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) são frequentemente consideradas elevadas quando comparadas ao poder de compra médio dos moçambicanos.
Em determinados períodos, um bilhete de ida em rotas domésticas pode ultrapassar 11 mil a 16 mil meticais, dependendo da distância e da disponibilidade de lugares. Por exemplo, voos como Maputo–Nampula ou Maputo–Pemba chegam a custar cerca de 14.600 a 16.000 meticais apenas num sentido.
Quando viajar dentro do país custa mais do que viajar para fora
Uma das críticas mais recorrentes é que, em alguns casos, é mais barato viajar para o estrangeiro do que viajar dentro de Moçambique. É relativamente comum encontrar promoções de voos internacionais, por exemplo para Johannesburg, na África do Sul, com preços semelhantes ou até inferiores aos de algumas rotas domésticas.
Por essa razão, muitos moçambicanos adoptaram uma estratégia: viajam de carro ou autocarro até Joanesburgo e apanham o avião a partir de lá para outro país.
O problema do monopólio
Uma das explicações mais apontadas para os preços elevados é a falta de concorrência no mercado da aviação doméstica. Durante anos, a LAM operou praticamente sozinha nas principais rotas internas. Em mercados com pouca concorrência, os preços tendem a ser mais altos, uma vez que os passageiros têm poucas alternativas.
No passado, a presença da companhia aérea Fastjet trouxe algum alívio. A empresa operou voos domésticos e internacionais com tarifas mais competitivas, o que obrigou o mercado a tornar-se mais acessível.
Com a saída da companhia, os preços voltaram a subir e as opções para os passageiros diminuíram.
Uma possível mudança a caminho
Há expectativa de que a situação possa melhorar nos próximos tempos. Está previsto que a Fastjet volte a operar em Moçambique a partir do segundo semestre de 2026, o que poderá aumentar a concorrência no sector.
Se isso acontecer, acredita-se que os preços das passagens poderão tornar-se mais competitivos, beneficiando directamente os passageiros.
No entanto, enquanto os preços continuarem elevados, muitos moçambicanos continuarão a depender de longas viagens por estrada, ou simplesmente deixarão de viajar.
Por isso, a grande questão mantém-se: será que viajar de avião em Moçambique continuará a ser um privilégio para poucos ou poderá tornar-se um meio de transporte acessível para a maioria?

