Num país com grande potencial turístico como Moçambique, a história de Ninguinha Gulube mostra como a paixão pode transformar-se num negócio sólido. Natural da Ilha de Inhaca, onde nasceu a 1 de Fevereiro, no bairro Ribjene, Ninguinha define-se como uma mulher extrovertida, autêntica e profundamente ligada ao mar.

Em entrevista à Moz Turismo, Ninguinha Gulube explica queser guia turístico em Maputo e no país é uma experiência rica, marcada pelo contacto com culturas diversas, paisagens únicas e histórias fortes. No entanto, reconhece que também é um desafio, sobretudo porque o turismo doméstico ainda está em desenvolvimento, exigindo criatividade, dedicação e paixão para proporcionar experiências memoráveis.

O seu gosto pelo turismo surgiu quando teve de sair da ilha para continuar os estudos em Maputo. A distância fez com que passasse a olhar para Inhaca de outra forma, percebendo o valor do lugar onde cresceu. “Às vezes precisamos sair da ilha para conseguir vê-la”, afirma, explicando que foi nesse período que nasceu o seu amor pelo turismo, pelas viagens e pela praia.

Licenciada em Gestão e Desenvolvimento de Turismo pela Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), Ninguinha começou a dar os primeiros passos na área ainda durante a formação, organizando pacotes turísticos com o irmão e amigos, inicialmente como hobby. O verdadeiro impulso, no entanto, surgiu em 2020, durante a pandemia da COVID-19, quando identificou uma oportunidade: enquanto várias praias estavam encerradas, Inhaca continuava acessível.

Foi nesse contexto que criou a Turismo dos Bradas. O primeiro passeio, organizado para um grupo jovem, superou as expectativas e rapidamente ganhou notoriedade através do marketing boca-a-boca. Desde então, o projecto cresceu, passando a organizar viagens frequentes para diferentes públicos.

O trabalho e os desafios no turismo

Actualmente, Ninguinha actua como consultora de viagens, sendo responsável por planear, organizar e personalizar experiências de acordo com o perfil de cada cliente. O seu trabalho inclui a criação de roteiros, recomendação de alojamentos e restaurantes, bem como a coordenação com guias locais.

O seu principal foco continua a ser a Ilha de Inhaca, com experiências que vão desde viagens de um dia até pacotes completos com alojamento, incluindo passeios para locais como Santa Maria eIlha dos Portugueses, eventos no ferry e cruzeiros ao pôr-do-sol na Baía de Maputo. Ainda assim, também organiza viagens para destinos como Ponta do Ouro, Milibangalala e o Parque Nacional Kruger.

A maior parte dos seus clientes chega através das redes sociais, recomendações e parcerias com agências de viagens, sendo o boca-a-boca um dos principais impulsionadores do negócio.

Apesar do crescimento, reconhece que viver do turismo em Moçambique exige consistência e capacidade de adaptação. A sazonalidade, os desafios logísticos e a necessidade de educar o mercado sobre o valor do turismo doméstico são algumas das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia.

Ainda assim, Ninguinha mantém-se firme no seu propósito: promover experiências autênticas e contribuir para o desenvolvimento do turismo, especialmente na ilha que considera um verdadeiro tesouro.

Contactos:

+258 86 646 7994 (Ninguinha)

Instagram: @turismo_dos_bradas

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