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Governo prevê redução dos tempos de espera na fronteira de Machipanda

O Governo moçambicano prevê reduzir os tempos de espera na fronteira de Machipanda, na província de Manica, através de um projecto de modernização e expansão a ser implementado mediante uma concessão de 25 anos. Actualmente, os períodos de maior pressão podem provocar esperas de dois a três dias, afectando o comércio ao longo do Corredor da Beira.

Segundo o Gabinete de Informação do Governo (GABINFO), o projecto está orçado em 30 milhões de dólares norte-americanos e pretende aumentar a capacidade de circulação de pessoas e mercadorias entre Moçambique, Zimbabwe e outros países sem litoral da África Austral.

Machipanda é uma das principais ligações terrestres com o Zimbabwe, registando a passagem de cerca de 320 camiões por dia, que transportam aproximadamente 9.600 toneladas de carga. Dados governamentais indicam que o tempo médio de espera atingiu 16,6 horas em Setembro de 2025, podendo aumentar para dois ou três dias durante os períodos de maior movimento.

O Governo estima que os atrasos resultem na perda de cerca de 5.312 horas de capacidade de transporte diariamente, correspondentes a aproximadamente 159.360 horas por mês e 1,94 milhões de horas por ano. Estes constrangimentos provocam custos adicionais para transportadores, importadores e exportadores, além de afectarem a circulação de mercadorias e a previsibilidade das cadeias de abastecimento.

O projecto prevê a expansão do terminal rodoviário, a melhoria das faixas de tráfego, a construção de duas novas pontes sobre o rio Machipanda e a instalação de sistemas de vigilância electrónica, incluindo câmaras de controlo e barreiras inteligentes. Está igualmente prevista a integração dos sistemas das autoridades moçambicanas e zimbabuanas, com o objectivo de simplificar os procedimentos de imigração e alfândega.

A futura infra-estrutura deverá ter capacidade para atender cerca de 3.000 pessoas por dia. O terminal de carga multimodal ocupará aproximadamente 35.000 metros quadrados, enquanto a nova passagem fronteiriça turística terá uma área estimada em 18.500 metros quadrados.

A concessão será executada em regime de parceria público-privada pela empresa Terminal Internacional Rodoviário de Machipanda, constituída pelo consórcio chinês Union Portlink e Zhongmei e pelo Fundo Rodoviário. O Estado moçambicano deterá 15% da participação, através do Fundo Rodoviário, 10% serão reservados para empresas da província de Manica e os restantes 75% pertencerão ao consórcio chinês.

Autorizada pela Resolução n.º 35/2025, de 22 de Outubro, a concessão foi posteriormente atribuída através do Decreto n.º 53/2026. O acordo inclui a construção, operação, manutenção e gestão das infra-estruturas, com posterior transferência para o Estado.

O Governo prevê ainda a criação de cerca de 700 empregos directos, sendo 500 durante a fase de construção e 200 na fase operacional. A iniciativa pretende reforçar a competitividade do Corredor da Beira, que liga o Porto da Beira aos mercados do Zimbabwe, Zâmbia, Malawi, Botswana e República Democrática do Congo.

Fonte: Lusa

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